O vereador Francisco Geovane Gonçalves, de Canindé, Ceará, terá seu afastamento das funções políticas prolongado por mais 180 dias. A decisão foi tomada pelos juízes da Vara de Delitos de Organizações Criminosas do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) após pedido do Ministério Público do Ceará (MPCE).
“Assim como a proibição de manter contato com os demais investigados nos autos, por qualquer meio físico ou eletrônico de modo a assegurar a efetividade da cautelar e o regular andamento da persecução penal”.
Os magistrados alertaram que o descumprimento dessa determinação poderá resultar em medidas mais sérias, como a prisão preventiva do vereador. Até o momento, a defesa de Gonçalves não foi encontrada para comentar o caso.
A denúncia e o pedido inicial de afastamento foram feitos pelo promotor Jairo Pequeno Neto, da Comarca de Canindé, e posteriormente o caso foi transferido para a Vara de Delitos de Organizações Criminosas.
Operação policial
Em maio deste ano, o MPCE e a Polícia Civil do Ceará realizaram uma operação contra um grupo que incluía Francisco Geovane, o empresário Maurício Gomes Coelho, conhecido como “MK”, um indivíduo apontado como líder da Guardiões do Estado (GDE), Francisco Flavio Silva Ferreira, alcunhado de “Bozinho”, e outras 15 pessoas. Todos foram acusados de participar de uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Canindé.
A investigação revelou que o grupo tinha uma estrutura hierárquica bem estabelecida, com núcleos de atuação específica. O núcleo executor lidava diretamente com a venda de entorpecentes e execução de crimes violentos, enquanto o núcleo familiar era composto por parentes do líder, responsáveis por movimentações financeiras para ocultar operações ilegais. Havia também um núcleo empresarial, formado por sócios de empresas usadas para lavagem de dinheiro, e um núcleo financeiro com “laranjas” da quadrilha.
Além disso, a investigação apontou que a organização criminosa atuava com violência e tinha conexões políticas, sendo suspeita de envolvimento em tentativas de homicídio e corrupção de agentes públicos.
Empresário “MK”
O líder da organização, “MK”, já estava preso por outros crimes e é também associado ao prefeito cassado Carlos Alberto Queiroz. O empresário Maurício Gomes Coelho foi preso por tentativa de homicídio, portando arma de fogo de uso restrito. Ele é acusado de se aliar à GDE para tentar assassinar um motorista ligado ao prefeito cassado.
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