O mercado de eventos no Brasil está passando por transformações profundas. O público que frequenta shows, festivais e experiências culturais já não é mais o mesmo. Geração Z e Alpha assumiram o protagonismo e trouxeram novos hábitos de consumo, que exigem mudanças urgentes dos produtores, das marcas e de toda a cadeia do entretenimento.
Para Paulo Victor Jabour Tannuri Valverde de Morais, empresário e sócio da VBR Entretenimento e da agência Formiga XP, esse cenário é resultado de três forças que se cruzam: mudança geracional, redes sociais e a economia do país.
Quem são os novos protagonistas
Geração Z (1995–2010): autêntica, conectada e seletiva. Quer experiências únicas, que façam sentido e que possam ser compartilhadas nas redes.
Geração Alpha (a partir de 2010): ainda em formação, mas já marcada pela interação com jogos, plataformas imersivas e consumo digital.
Ambas querem mais do que um show: buscam vivências completas, que unam música, cenografia, ativações criativas, tecnologia e propósito.
Redes sociais como palco paralelo
“Hoje, os eventos não acontecem só no espaço físico. Eles precisam acontecer também nas redes sociais”, comenta Paulo Victor Jabour. O público quer cenários instagramáveis, momentos que virem stories e reels, ativações que gerem engajamento.
Isso fez com que produtores repensassem desde a cenografia até a pós-produção: cada detalhe também é uma estratégia de marketing.
O desafio da venda de ingressos
Ao mesmo tempo em que cresce a busca por experiências diferenciadas, a venda de ingressos enfrenta obstáculos inéditos:
- Consumo seletivo – jovens escolhem menos eventos, mas querem máxima qualidade.
- Economia instável – inflação e custo de vida altos reduzem o poder de compra.
- Ingressos caros – os custos de produção dispararam e impactam diretamente o preço.
- Concorrência digital – streaming, games e entretenimento online disputam a atenção (e o bolso) do público.
“Produzimos festivais como o Vibrar, festas icônicas como a Arca de Noé e shows de artistas renomados como Alceu Valença, Jota Quest, Duda Beat e Bruce Dickinson. O maior desafio hoje não é só realizar, mas convencer o público de que vale a pena investir no ingresso”, explica Jabour.
O peso dos custos de produção
Estruturas, tecnologia, logística, cachês de artistas e até segurança ficaram mais caros. Isso pressiona produtores e reduz margem de negociação com o público.
Aqui entra um diferencial: a VBR Entretenimento não atua apenas como produtora, mas também como fornecedora de eventos. A empresa oferece locação de estruturas, equipamentos e serviços para diferentes formatos, o que garante experiência de mercado tanto no palco das grandes produções quanto nos bastidores da operação.
Essa visão 360° permite entender de perto os dois lados: o do produtor que cria o evento e o do organizador que precisa de fornecedores confiáveis para viabilizá-lo.
Como se adaptar a esse novo público
- Experiência acima de tudo – o público não compra só o ingresso, compra a vivência.
- Autenticidade e propósito – conexões emocionais contam tanto quanto a atração principal.
- Formatos flexíveis – pacotes, combos e assinaturas podem reduzir barreiras de preço.
- Inovação constante – tecnologia e interatividade agregam valor percebido.
Conclusão
O público de eventos culturais e musicais mudou. Geração Z e Alpha são exigentes, conectados e seletivos. Num país de economia instável e custos elevados, só os produtores que conseguirem equilibrar criatividade, experiência e viabilidade econômica terão sucesso.
Na visão de Paulo Victor Jabour Tannuri Valverde de Morais, que vive o mercado de eventos tanto no lado da produção de grandes festivais e shows quanto no da fornecedora de estruturas e serviços, o futuro do setor está em unir inovação, propósito e gestão eficiente. É isso que garantirá ingressos vendidos, público engajado e marcas confiantes em investir nesse ecossistema.
