A eleição de 2026 no Ceará parece se afastar de propostas inovadoras, focando mais na reanálise de conflitos políticos antigos que ainda persistem. Recentes comentários do senador Cid Gomes (PSB) e do ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil) trazem à tona episódios do passado que se tornam relevantes no atual cenário eleitoral.
Durante uma visita a Sobral em maio, Cid foi indagado sobre as declarações de seu irmão, Ciro Gomes, em meio a novas trocas de farpas sobre alianças e mudanças no panorama político. Em resposta, o senador abriu sua camisa para mostrar as cicatrizes de disparos que sofreu durante o motim da Polícia Militar em 2020.
Esse gesto, acompanhado da frase “Deus está vendo”, foi interpretado como um símbolo da memória política ainda presente e também como um recado implícito em meio às disputas familiares e políticas não resolvidas.
O motim ocorrido em 2020 é lembrado como um dos momentos mais críticos na segurança pública do estado. A paralisação parcial da Polícia Militar, motivada por reivindicações salariais, resultou na ocupação de batalhões, diminuição do policiamento e um aumento significativo da violência.
Mais do que uma crise institucional, esse evento se firmou como um divisor de águas político que reestruturou narrativas e reposicionou figuras importantes no debate público cearense.
Recentemente, declarações do ex-deputado Capitão Wagner, frequentemente associado a discussões sobre movimentos policiais no Ceará, reacenderam a controvérsia em torno desse período.
Ao anunciar que homenagearia o policial envolvido no incidente em que Cid foi ferido, Wagner traz o motim novamente ao centro da disputa simbólica, permitindo novas interpretações e provocando novos atritos políticos.
Cid já declarou diversas vezes que eventos como o motim e a gestão da crise em 2011 marcam profundamente sua trajetória política enquanto esteve à frente do Executivo estadual. O episódio envolvendo uma retroescavadeira em Sobral é frequentemente mencionado por ele como um exemplo crítico da crise de autoridade enfrentada naquele período.
Outro ponto controverso entre as principais forças políticas é a divisão ocorrida no PDT em 2022.
Esse evento gerou a fragmentação de uma das principais potências políticas do estado e ainda gera diferentes versões sobre as responsabilidades e decisões tomadas naquela época.
Dentro desse contexto, a eleição de 2026 se apresenta como uma disputa onde a memória política terá um peso tão significativo quanto as propostas para o futuro.
No Ceará, a política continua sendo um espaço onde narrativas sobre o passado são disputadas, com feridas antigas ainda influenciando as dinâmicas entre os líderes políticos.
