Após sua derrota no segundo turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) declarou-se “presidente eleito” em uma carta aberta que foi divulgada nesta quarta-feira (28).
O documento é endereçado também a líderes internacionais, incluindo os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos, a quem expressa gratidão pelo apoio durante sua saída do Brasil na terça-feira (27).
Nesta carta, Flávio Bolsonaro reafirma sua autoproclamação como presidente do Brasil. Tal afirmação desafia o resultado da votação realizada no último domingo (25), que consagrou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir seu quarto mandato no Palácio do Planalto.
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Leia a carta de Flávio Bolsonaro na íntegra
Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.
Primeiramente, agradeço ao Presidente Milei pela coragem e senso de justiça, assim como ao Presidente Trump e ao povo americano por me receberem. Esta é uma terra de liberdade e valores que se assemelham aos dos cidadãos bons do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.
No domingo à noite, assisti horrorizado enquanto uma fraude eleitoral se desenrolava diante de mim. A ação ilegítima do ex-advogado de Lula possibilitou que uma impossibilidade matemática se tornasse realidade, permitindo que Lula adicionasse mais de dez milhões de votos entre o primeiro e o segundo turnos. Uma decisão do STF, tomada sem a competência do TSE, estendeu a votação no último momento e somente chegou após o término do horário legal das urnas. Eleitores foram submetidos a regras distintas. Até agora, o TSE apenas defendeu essa prorrogação sem oferecer uma resposta convincente. Além disso, os problemas vão além das nulidades. Durante toda a campanha eleitoral, houve abuso de poder político e econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. Esses são fatos graves que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.
A resposta do regime à minha contestação foi imediata. Como parte de um plano pré-definido, sete minutos após essa abominável fraude eleitoral, um juiz envolvido em um enorme escândalo de corrupção — mencionado no inquérito usado para tentar apreender meus passaportes — iniciou uma perseguição política contra mim. Sua participação em qualquer ato processual revela a arbitrariedade e ilegalidade desse processo.
Não planejei deixar meu país, mas sei onde isso pode levar. Essa é a fórmula clássica de um golpe de Estado. A perseguição política começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, se expandindo para milhares de brasileiros patriotas e até mesmo cidadãos americanos com o intuito de silenciar quem não concorda com o regime instaurado por uma Suprema Corte dominada pela organização criminosa petista.
É importante frisar que não existe nenhum mandado de prisão contra mim porque não cometi crime algum. O que ocorre é uma caça às bruxas com motivações políticas para me transformar em refém e proteger juízes corruptos da Suprema Corte contra um possível impeachment por parte deles mesmos. O roteiro dessa perseguição inclui apreensão de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica e censura.
Não submeterei minha família a isso novamente nem deixarei meu país passar por um novo vexame internacional. Diante da politização da Justiça no Brasil, minha família e eu buscamos refúgio nos Estados Unidos onde estamos protegidos. Sou grato ao Presidente Trump e ao governo americano pela segurança jurídica que não temos mais em nosso país.
Quero esclarecer que não fugi do Brasil — saí dele devido a um regime opressivo para poder ser o líder que meu povo merece. Sem voz ou liberdade como meu pai está agora eu não poderia exercer essa liderança em um ambiente controlado pela Suprema Corte composta por aliados do regime.
Não sou o primeiro a lutar pelo seu país à distância. Rui Barbosa enfrentou o autoritarismo de Floriano Peixoto durante seu exílio defendendo os princípios democráticos desde longe. Charles de Gaulle liderou a França Livre enquanto estava em Londres sob pena de morte pelo regime Vichy e retornou para libertar sua nação. José Martí organizou a luta pela independência cubana fora de seu país enquanto Juan Guaidó e Edmundo González deixaram a Venezuela devido à tirania chavista mas continuaram suas lutas pelo povo venezuelano mesmo sob repressão.
Esta é apenas a fase inicial da nossa jornada pela democracia e pelos direitos humanos no Brasil. Quero afirmar aos meus mais de sessenta milhões de eleitores e ao povo brasileiro que sou o presidente eleito e aqueles que manipularam as eleições fazem parte de uma organização criminosa instaurando uma tirania em nosso país.
A todos os senadores, deputados e governadores que apoiei na eleição — especialmente ao Rogério Marinho — sei que vocês não têm hoje plena liberdade para realizar suas atividades políticas como deveriam fazer.
Diante disso liderarei a oposição aqui fora do Brasil e serei a voz corajosa que vocês não podem ser neste momento crítico.
A você eleitor que confiou em mim na busca por mudanças significativas digo que não estamos derrotados nem sozinhos nessa jornada pela liberdade democrática no Brasil.
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