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Ceará celebra terceiro melhor desempenho em chuvas de uma década durante a quadra chuvosa de 2026

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No Ceará, a quadra chuvosa de 2026 foi encerrada com um desempenho notável, apresentando o terceiro melhor resultado dos últimos dez anos. Ao longo do período de fevereiro a maio, foram registrados 648,6 mm de precipitação, superando a média histórica e representando um aumento de quase 25% em relação ao total do ano anterior.

Ramon Rodrigues, secretário de Recursos Hídricos, comentou que atualmente o estado detém aproximadamente 54% de sua capacidade total de armazenamento hídrico, correspondendo a cerca de 9,5 bilhões de metros cúbicos. Ele ressaltou que a maior parte das bacias hidrográficas apresenta uma situação confortável, especialmente nas áreas litorâneas e nas regiões da Ibiapaba e Sul do estado.

Entretanto, a bacia dos Sertões de Crateús é motivo de preocupação no interior do estado, pois encontra-se com apenas 21% da sua capacidade total, possuindo reservas suficientes para cerca de um ano. As bacias do Banabuiú e do Médio Jaguaribe estão sob vigilância constante; segundo o secretário, não há risco imediato para o abastecimento devido à gestão cuidadosa dos reservatórios e ao volume armazenado no Açude Castanhão.

Apesar do panorama otimista em geral, os reservatórios que atendem à Região Metropolitana de Fortaleza tiveram um volume inferior ao observado em 2025, gerando preocupações para a região.

Além disso, Rodrigues enfatizou que a Região Metropolitana demanda atenção especial. Os reservatórios dessa área finalizaram a quadra chuvosa com aproximadamente 60% da capacidade total, um valor bem abaixo dos quase 90% vistos no ano passado. O governo está constantemente monitorando os níveis de água e adotando medidas que consideram os piores cenários possíveis para assegurar o abastecimento até a próxima quadra chuvosa.

Ele também mencionou que o estado está aumentando a capacidade de transferência de água para Fortaleza através da duplicação do Eixão das Águas. Essa obra deverá dobrar a vazão do sistema, passando dos atuais 11 para 22 metros cúbicos por segundo. Essa estratégia permitirá reforçar o abastecimento da capital sem impactar negativamente na produção agrícola das regiões atendidas pelo sistema.

Durante a apresentação dos dados, a Funceme alertou sobre os possíveis efeitos provocados pelo fenômeno El Niño, que incluem o aumento das temperaturas e da evaporação, além do risco elevado de queimadas.

Eduardo Sávio, presidente da fundação responsável pela meteorologia no estado, explicou que as preocupações relacionadas ao El Niño surgem devido à forte influência do Oceano Pacífico sobre as condições climáticas. Isso possibilita previsões mais precisas sobre eventuais alterações no clima. No entanto, ele também destacou que as chuvas no Ceará estão condicionadas às condições do Oceano Atlântico.

Ele afirmou ainda que os principais efeitos previstos devido ao El Niño incluem temperaturas mais elevadas. Esse fenômeno pode resultar em um aumento no risco de queimadas e na taxa de evaporação e intensificar a demanda por água. A situação preocupa especialistas não apenas pela disponibilidade nos reservatórios mas também pelo maior consumo decorrente das atividades agrícolas e das demandas populacionais.

A quadra chuvosa de 2026 no Ceará obteve o terceiro melhor resultado na última década.

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