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O tempo das generosidades

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No Brasil, os anos em que ocorrem eleições frequentemente são caracterizados pela implementação de ações com grande repercussão econômica e social. Embora as administrações mudem, a sequência de eventos muitas vezes se mantém a mesma.

No ano de 1986, José Sarney decidiu manter o congelamento dos preços imposto pelo Plano Cruzado até a data das eleições. Essa estratégia resultou em uma vitória marcante para o PMDB, que conseguiu eleger 22 dos 23 governadores. No entanto, algumas semanas depois, o plano desmoronou, a inflação voltou a crescer rapidamente e na eleição presidencial de 1989, o candidato apoiado pelo governo, Ulysses Guimarães, obteve apenas a sétima posição.

Em 1998, Fernando Henrique Cardoso buscou reeleger-se mantendo a paridade do real em relação ao dólar. Ele foi reeleito no primeiro turno com 53,06% dos votos válidos, mas poucos meses após sua vitória, teve que desvalorizar a moeda devido à crise cambial que levou o Brasil ao regime de câmbio flutuante. Nos anos subsequentes, o PSDB viu sua influência diminuir no cenário nacional e não conseguiu mais eleger um presidente desde então.

Recentemente, em 2022, Jair Bolsonaro também adotou medidas significativas pouco antes das eleições. Ele reduziu impostos sobre combustíveis, aumentou temporariamente o Auxílio Brasil e introduziu benefícios para caminhoneiros e taxistas. Essas iniciativas ajudaram a controlar a inflação em um curto espaço de tempo, mas seus efeitos foram efêmeros. Apesar disso, Bolsonaro não obteve sucesso em sua tentativa de reeleição.

Atualmente, em 2026, o governo Lula está expandindo os programas e incentivos disponíveis. De acordo com uma análise da Folha de S.Paulo, as ações anunciadas neste ano já somam mais de R$ 180 bilhões em iniciativas que abrangem programas sociais, crédito habitacional, renegociação de dívidas e suporte ao setor produtivo.

Embora os contextos econômicos e políticos sejam distintos, a tática parece se repetir. Em anos eleitorais, administrações de diversos partidos costumam recorrer a medidas significativas para estimular a economia e fortalecer suas chances eleitorais. O que acontecerá nas urnas em 2026 poderá indicar se essa tendência continuará; já a economia poderá oferecer um segundo parecer sobre as consequências dessas ações.

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