A disputa eleitoral de 2014 ilustra claramente o impacto que o horário eleitoral pode ter em uma campanha. Naquele período, Dilma Rousseff era a favorita nas pesquisas, enquanto Aécio Neves ocupava a segunda posição e Eduardo Campos tentava se firmar como uma alternativa viável.
No entanto, tudo mudou em 13 de agosto, quando Campos faleceu em um trágico acidente aéreo. Sua vice, Marina Silva, assumiu a candidatura e rapidamente conseguiu converter a comoção pública em votos.
Em um curto espaço de tempo, Marina viu sua popularidade saltar de aproximadamente 9% para mais de 30%. Ela chegou a igualar os índices de Dilma e, nas simulações para um eventual segundo turno, apareceu na frente da presidente. Esse cenário levou a campanha do PT a alterar sua estratégia, focando seus ataques em Marina. Os opositores exploraram suas propostas governamentais, sua trajetória política e questões que poderiam gerar rejeição entre os eleitores.
O horário eleitoral proporcionou à campanha uma ferramenta valiosa: o tempo necessário para reforçar mensagens. Esse efeito foi refletido nas pesquisas. Após atingir 34% no final de agosto, a popularidade de Marina caiu para 24% na véspera da eleição. Enquanto isso, Dilma cresceu nas intenções de voto e Aécio também recuperou terreno. É importante ressaltar que uma eleição não pode ser explicada por um único fator isolado.
Entretanto, o caso de 2014 oferece uma lição significativa: as pesquisas capturam apenas um instante no tempo, enquanto as campanhas buscam moldar essa imagem. O horário eleitoral é crucial nesse processo, pois não se resume a fazer anúncios; é uma oportunidade para construir uma identidade, apresentar propostas, atacar concorrentes e repetidamente consolidar uma narrativa até que ela se fixe na mente dos eleitores.
Pesquisas sobre eleições no Brasil indicam que candidatos com maior tempo de televisão tendem a obter resultados expressivos nas urnas. Por essa razão, o controle do horário eleitoral permanece sendo um aspecto altamente disputado.
Embora as redes sociais tenham fragmentado o cenário da comunicação política, a televisão continua a oferecer algo que algoritmos não conseguem replicar com a mesma eficácia: amplo alcance, frequência e uma mensagem estruturada diretamente na casa do eleitor.
Em 2014, Marina entrou no horário eleitoral como uma concorrente real à reeleição de Dilma, mas saiu da disputa em terceiro lugar. Isso demonstra que em uma eleição o tempo de propaganda vai além da simples veiculação; é essencial para persuadir e muitas vezes para minar a vantagem do rival.
